quarta-feira, 26 de abril de 2017

Sobre despedidas, não sei muito mais que você. Só que doem. E deixam buracos intermináveis. E cegam. E emudecem. E paralisam. E findam. Sobre despedidas, só sei o que me contaram: que deixam cicatrizes nos pés e nas mãos, que deixam a garganta seca e o sorriso travado. Sobre despedidas, eu sei de mim. E de minha mãe. E de meu pai. E da minha angústia toda, fugindo pra dentro do quarto e me trancando no escuro, detrás do guarda-roupa. Intragável, intragável, intragável: sobre despedidas, sei que não passam na garganta. Não entram na mente. Não cruzam visões de quem se recusa a ver que é o fim e não a paz, o que espera na frente de casa. É o fim, meu amor — o nosso fim.
— Circos. 

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